ALGO QUE NUM VERSO CAIBA

























Hoje o congestionamento embargou os olhos
e fez da lágrima parte do trânsito
Inerte testemunha à sinfonia de buzinas
Alerta ao holofote incessante intermitente

Receia o caos diário da hora do rush
em meio ao céu cinzento relâmpago e a PEC
O fôlego que falha à moléstia do corte
Com a mão que dilacera, a seara do golpe

Como se fosse pleno pesadelo
pousa o dia inteiro
sobre o travesseiro
esse pulsar tenso de dor de cabeça

E a clausura que nos nega até as ruas
por trás dos vidros escuros
faz as faces se esconderem
dos pingos de chuva

Mas vai ter uma prece de agradecimento
no meu compêndio sobre resistência
Mas vai ter uma tese que explique o sofrimento
E a luta do momento existe em resistência

Algo que promova o alívio
mas que não seja comprimido
combatido ou confiscado
algo que num verso caiba


Alan Salgueiro
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